segunda-feira, 27 de abril de 2009


Livre!Livre! Ser livre da materia escrava,Arrancar os grilhões que nos flagelamE livre, penetrar nos Dons que selamA alma e lhe emprestam toda a etérea lava.Livre da humana, da terrestre bavaDos corações daninhos que regelamQuando os nossos sentidos se rebelamContra a Infâmia bifronte que deprava.Livre! bem livre para andar mais puro,Mais junto à Natureza e mais seguroDo seu amor, de todas as justiças.Livre! para sentir a Natureza,Para gozar, na universal Grandeza,Fecundas e arcangélicas preguiças.

Neruda


Para mi corazón basta tu pecho,

para tu libertad bastan mis alas.

Desde mi boca llegará hasta el cielo

lo que estaba dormido sobre tu alma. .

Es en ti la ilusión de cada día.

Llegas como el rocío a las corolas.

Socavas el horizonte con tu ausencia.

Eternamente en fuga como la ola..He dicho que cantabas en el viento

como los pinos y como los mástiles.

Como ellos eres alta y taciturna.

y entristeces de pronto, como un viaje..

Acogedora como un viejo camino.

Te pueblan ecos y voces nostálgicas.y

o desperté y a veces emigran y huyen pájaros que dormían en tu alma.

Lord Byron


Tu Me Chamas Canção, parodiada do português por Lord Byron.Tradução de João Cardoso de Menezes e Souza (Barão de Paranapiacaba).

Em momentos de delícia,

Extática, embevecida,

Numa voz, toda carícia,

Tu me chamas: "Minha vida!"

Sentira, à frase tão doce, Exultar-me o coração,

Se a nossa existência fosse

De perpétua duração.

Levam-nos esses momentos

Ao fim comum dos mortais.

Ou não saiam tais acentos

Dos lábios teus nunca mais,

Ou, mudando a frase terna,

"Minha alma", podes dizer.

Pois a alma não morre; eterna

Qual meu amor, há de ser.

Amrik - Ana Miranda


Amrik, romance histórico de Ana Miranda que conta a saga de uma família libanesa, através da personagem Amina. Datado de final de século XIX, princípios do século XX, a história tem como pano de fundo a imigração libanesa. Relata, em primeira pessoa, a trajetória desta personagem que obrigada por seu pai a acompanhar seu tio a fugir, se dirige a EUA e posteriormente ao Brasil onde passa por dias dificeis e situações complicadas expondo suas angústias e nos revelando o pensamento de uma oriental vivendo agora no ocidente. A sereia não somente ilustra a capa do livro, como também vão percorrendo o interior da obra como uma forma de desvelo que com todo seu mito de 'metade peixe, metade mulher', 'encanta con seu canto e causa sofrimento a quem la escuta'. Amina se apropria de todas estas características mitológicas e vai, juntamente com a sereia (desenhos) transformando-se.

Luís Fernando Veríssimo

O que faz bem pra minha saúde!Acho a maior graça.
Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem!
Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Luís Fernando Veríssimo


A FELICIDADE PODE DEMORAR
Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado. Às vezes nos falta esperança. Às vezes o amor nos machuca profundamente,e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa. Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar...é nossa razão de existir. Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa. Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto. É a força da natureza nos chamando para a vida. Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade. Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo. Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram... Descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez. E agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-las a reconstruir um coração quebrado. Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatoresimportantes: a relação com a família, as condições econômicas nas quais se desenvolveu. (dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter), os relacionamentos anteriorese as razões do rompimento, seus sonhos, ideais e objetivos. Não deixe de acreditar no amor. Mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguémque dê valor aos mesmos sentimentos que você dá. Manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam. E certifique-se de quequando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra.Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoate deixar, então nada irá lhe restar. Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco. Pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será aindamais intenso, do que teria sido no passado. Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário. Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo. A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna. A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem...

Camões


Busque Amor novas artes, novo engenho

Busque Amor novas artes, novo engenho

Para matar-me, e novas esquivanças,Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me escondeAmor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como e dói não sei porquê.

Octavio Paz


JUNIO

Bajo del cielo fiel Junio corría

arrastrando en sus aguas dulces fechas...


Llegas de nuevo, río transparente,

todo cielo y verdor, nubes pasmadas,

lluvias o cabelleras desatadas,plenitud, ola inmóvil y fluente.


Tu luz moja una fecha adolescente:

rozan las manos formas vislumbradas,

los labios besan sombras ya besadas,

los ojos ven, el corazón presiente.


¡Hora de eternidad, toda presencia,

el tiempo en ti se colma

y desembocay todo cobra ser, hasta la ausencia!


El corazón presiente y se incorpora,

mentida plenitud que nadie toca:

hoy es ayer y es siempre y es deshora.

León Felipe - México


SE TODOS LOS CUENTOS

Yo no sé muchas cosas,

es verdad

Digo tan sólo lo que he visto.

Y he visto:

que la cuna del hombre la mecen con cuentos...

Que los gritos de angustia del hombre los ahogan con cuentos...

Que el llanto del hombre lo taponan con cuentos...

Que los huesos del hombre los entierran con cuentos...

Y que el miedo del hombre ha inventado todos los cuentos.

Yo no sé muchas cosas es verdad.

Pero me han dormido con todos los cuentos...

Y sé todos los cuentos.


domingo, 26 de abril de 2009

Laura Pausini e Lara Fabian - Concierto en Roma

Semana de Arte Moderna


Lo que se dio en llamar de Pré-Modernismo, en Brasil, no constituyó una "escuela literaria", es decir, no es un grupo de autores afinados alrededor de un único ideario, siguiendo determinadas características. En realidad, Pré-Modernismo es un término genérico que designa una vasta producción literaria que se extiende en los primeros 20 años de este siglo. Ahí vamos a encontrar las más variadas tendencias y estilos literarios, desde los poetas parnasianos y simbolistas, que continuaban con su producción, hasta los escritores que comenzaban a desarrollar un nuevo regionalismo, además de otros mas preocupados con una literatura política y otros, aún, con propuestas realmente innovadoras.


Desde el comienzo de la segunda década del siglo, actividades culturales diversas producirían el inicio del proceso de corrosión de la arte académica brasileña. Observamos algunos de eses episodios:
Oswald de Andrade y Emílio Menezes fundaran, en 1911, la revista de arte Pirralho, cuyos principios cuestionaban el arte brasileño. En ese diario se divulgaran las composiciones de Juó Bananere seudónimo de Alexandre Marcondes Machado, sátiras de textos consagrados de nuestra literatura, considerados hasta entonces como inaudibles. Las sátiras eran bastante irreverentes y divertidas, principalmente porque el autor utilizaba un italiano "macarrónico" para expresarse. Además, tratábase de una lengua comuna en los barrios de São Paulo donde los inmigrantes italianos se fijaban.
La irreverencia seria una de las marcas registradas de la primera fase modernista. Bananere se antecipaba.
En 1912, Oswald de Andrade volvió de su primer viaje a Europa y divulgó las ideas cubistas y futuristas, entre ellas a del verso libre.
En el año siguiente, un pintor ruso que se fijara en Brasil Lasar Segall hizo una exposición de pintura expresionista.
En 1914 fue en turno de Anita Malfatti mostrar cuadros expresionistas, resultado de su pasantía en Alem

El año de 1917 es especialmente marcante en la gestación de la Semana. Primero, porque algunos escritores que futuramente producirian obras modernistas publicaran textos con tímidas innovaciones de lenguaje. Tímidas, pero innovadoras. Es el caso de Mário de Andrade, que bajo el seudónimo de Mário Sobral, publicó Há uma gota de sangue em cada poema. Manuel Bandeira, Menotti del Picchia y Guilherme de Almeida también publicaran novedades. En segundo lugar, porque Anita Malfatti hizo una exposición de pintura con tendencia cubista, generando motivo a una violenta crítica de parte del escritor Monteiro Lobato, que, en un artículo titulado "Paranóia ou mistificação?", reaccionó violentamente a la obra de Anita. El artículo dividió artistas y público, simbolizando el primero confronto abierto entre el viejo y el nuevo.

Lobato radicalizó:
"Hay dos especies de artistas. Un compuesto de los que ven normalmente las cosas y en consecuencia hacen puro arte(...) La otra especie es formada de los que ven anormalmente la naturaleza y la interpretan a la luz de teorías efímeras, bajo la sugestión tan estrábica excesiva. Son productos del cansancio y del sadismo de todos los períodos de decadencia; son frutos de fin de estación, llenos de bichos al nacimiento. Estrellas candentes brillan un instante, las más de las veces con la luz del escándalo, y desaparecen pronto en la oscuridad del olvido... "Pero, fijémonos que Lobato, además de ser, un pré-modernista, con ideas avanzadas, era respetadísimo por toda su intelectualidad, conservadora o no. Su crítica pesó mucho. Mas tarde, Lobato reconoció que entendía poco de artes plásticas para tener escrito todo aquello.

En 1921, Oswald de Andrade publicó un artículo llamando Mário de Andrade de "mi poeta futurista". Ocurre que Oswald tenía leído los originales de Paulicéia desvairada libro que sería publicado en 1922 y representaría el primer libro de poemas modernistas. Mário respondió negando su condición de futurista.
Se explica la actitud de Mário: en ese momento, el Futurismo italiano estaba asociado al nazi-fascismo, ideología desechada por el escritor.
En ese año, Di Cavalcanti hizo una exposición en São Paulo y, según se sabe, lanzó la idea: por que no realizar una "semana" de arte moderna?
Resumidamente, en cuanto no tenían un programa ideológico y estético listo, los modernistas iban tomando contacto con los ismos europeos, a través de libros y revistas.

En las noches de 13, 15 e 17 de febrero de 1922, se abrió al público las puertas del Teatro Municipal de São Paulo, donde variados artistas mostraban obras con un lenguaje nuevo, afinada con las corrientes estéticas del comienzo del siglo. Debemos recordar de que Europa, en ese momento, vivía el movimiento de vanguardia, el Surrealismo.
La apertura de la Semana estuvo a
cargo de Graça Aranha, escritor pré-modernista que adhirió al movimiento de los modernos. Su conferencia A emoção estética na arte moderna fue ilustrada con declamación de poemas. Se seguió la ejecución de piezas de Villa-Lobos.
45. En la segunda noche, Ronald de Carvalho declamó el poema que, entonces se hizo muy conocido, "Os sapos", de Manuel Bandeira, en que se ridicularizaba el Parnasianismo.
Fue la noche más movida de la Semana. Gritos y hurras del público acompañaban la declamación. En el intervalo, Mário de Andrade hizo una conferencia en el pasillo del teatro. En la segunda parte del programa presentase una pianista ya consagrada: Guiomar Novaes.
En la tercera noche, dedicada a la música, hubo un incidente: Villa-Lobos presentose de casaca e ojotas. Pero no era una agresión; el compositor estaba com un pie machucado.
La Semana de Arte Moderna sólo fue posible gracias al apoyo financiero de los hacendados del café. Entonces ahí tenemos una contradicción, porque uno de los objetivos declarados de los organizadores del acontecimiento era "asustar a la burguesía que dormita en la gloria de sus lucros". Propuesta hecha, propuesta alcanzada: chiflos, hurras y, según algunos, hasta agresiones marcaran la reacción de lo público.
Fue ese el clima que marcó la ruptura con el tradicionalismo. Nuestros modernistas de primer momento presentaban un arte que estaba en consonancia con el gran movimiento internacional de renovación de ideas.

Además de utilizar un nuevo lenguaje, los artistas de la Semana atacaban abiertamente el pasado, sobre todo o Parnasianismo. Por que el Parnasianismo? Primero, porque era el estilo que anticipaba más cercanamente el Modernismo; segundo, porque fue un estilo muy apegado a las reglas y modelos; tercero, porque era aún lo que valía como referencia artística para la clase dominante, justamente aquella que se quería choquear.

Obviamente, si hubiera permanecido reducida a São Paulo, la Semana no habría tenido tal importancia renovadora.
A partir de los acontecimientos de l Teatro Municipal, divulgados por la prensa de la época, las nuevas ideas encontraran adeptos en todo país, ora adeptos más serenos, ora más radicales. En el período comprendido entre 1922 y 1930 primera fase del Modernismo manifiestos, revistas, grupos recién-formados se difundieran por el escenario cultural brasileño como nunca había acontecido antes.
Seguramente, había discordancias entre los grupos. A veces, hasta oposiciones fuertes. Pero común a todos, era la certeza de la urgente necesidad de renovación de nuestra cultura.

Tarsila do Amaral - Mamoeiro


sábado, 25 de abril de 2009

Poesia Visual III: Fernando Aguiar


Incidente em Antares - Érico Veríssimo


"Incidente em Antares" : romance de Érico Veríssimo. Primeira parte- romance histórico que conta a formação política e social do Rio Grande do Sul, onde se misturam fato histórico reais com a ficcção de alguns personagens; Segunda parte- 'o incidente': Numa sexta-feira 13, explode a greve geral na cidade de Antares, que por 'casualidade' está isolada do mundo porque devido ao tempo caiu a única ponte que a liga com o resto do estado. Nesta mesma fatídica sexta-feira, morrem 7 pessoas: um advogado, uma prostituta, a líder política da cidade, um bêbado, um pianista, um sapateiro comunista e um sindicalista. Devido a greve geral, seus corpos não podem ser enterrados e, apesar das divergencias de classes sociais, ideológicas, políticas, econômicas, os mortos se unem para exigir seu direito universal: ter um enterro digno. Antes, porém, cada morto necessita resgatar sua história inacabada, já que agora estão livres das amarras que a vida lhes impunha. Através da jornada que os mortos começam a percorrer (tudo em menos de 24 horas se passa) se observa uma verdadeira crítica social e política ao sistema vigente no Brasil e a podridão da sociedade vem à tona.
Excerto
Dona Quitéria ergue-se, depois de dar duas palmadinhas consoladoras no ombro do suicida, e diz em voz alta, como quem se dirige a uma assembléia:- Precisamos fazer alguma coisa! Cícero Branco congrega os outros seis cadáveres:- Companheiros, não é por estar morto que vou deixar de ser o que fui em vida: um advogado. Estive arquitetando um plano...- Fale! - ordena Dona Quitéria.- Qual é o nosso objetivo? O de sermos sepultados dignamente, como é de nosso direito e de hábito, numa sociedade cristã.- O doutor falou pouco mas bem! - exclamou Pudim de Cachaça. - Escutem com a maior atenção. Você aí, Joãozinho, aproxime-se e escute também. A idéia é simples. Amanhã pela manhã marcharemos todos sobre a cidade para protestar...- Uma greve contra os grevistas! - entusiasma-se Dona Quitéria.- Se o fim da marcha é esse - intervém Barcelona -, não contem com este defunto.- Espere - diz o advogado, tocando o braço do sapateiro. - Usemos de todas as nossas armas. Primeiro, a nossa condição de mortos. Sejamos mais vivos que os vivos.- Como?- Impondo à população de Antares a nossa presença macabra. Se não nos enterrarem dentro do prazo que vamos impor, empestaremos com a nossa podridão o ar da cidade.- Que coisa horrorosa, doutor! - diz Erotildes, ajeitando os cabelos num gesto faceiro.- Por que não se põe em votação a proposta do Dr. Cícero? - pergunta o sapateiro.- Bom - faz o advogado. - Não direi que aqui em cima estejamos numa democracia. Imaginemos que isto é uma... uma tanatocracia. (E os sociólogos do futuro terão de forçosamente reconhecer este novo tipo de regime.) Preciso saber se todos vocês me aceitam como advogado, caso em que terão de me passar uma procuração verbal para eu agir em nome do grupo. Dona Quitéria sacode a cabeça num movimento afirmativo. Erotildes, Pudim e Menandro a imitam. Barcelona, porém, hesita: - Primeiro quero conhecer melhor o plano.- Simples. Descemos juntos pela Rua Voluntários da Pátria ruma da Praça da República. Lá nos dispersaremos, cada qual poderá voltar à sua casa... Para isso teremos algumas horas. O essencial (prestem a maior atenção!) é que quando o sino da matriz começar a dar as doze badaladas do meio-dia, haja o que houver, todos devem encaminhar-se para o coreto da praça, sentar-se nos bancos em silêncio e ficar à minha espera.- E que é que você vai fazer? - quer saber João Paz.- Vou primeiro à minha casa buscar uns papéis importantes... Depois me dirigirei à residência do prefeito para lhe entregar um ultimato verbal... ou nos enterram dentro do prazo máximo de vinte e quatro horas ou nós ficaremos apodrecendo no coreto, o que será para Antares um enorme inconveniente do ponto de vista higiênico, estético... e moral, naturalmente."

Walt Whitman


¿Quién va allí?Grosero, hambriento, místico, desnudo... ¡quién es aquél?¿No es extraño que yo saque mis fuerzas de la carne del buey?Pero ¿qué es el hombre en realidad?¿Qué soy yo?¿Qué eres tú?Cuanto yo señale como mío,Debes tú señalarlo como tuyo,Porque si no pierdes el tiempo escuchando mis palabras.Cuando el tiempo pasa vacío y la tierra no es mas que cieno ypodredumbre,no me puedo para a llorar.Los gemidos y las plegarias adobadas con polvo para los inválidos;y la conformidad para los parientes lejanos.Yo no me someto.Dentro y fuera de mi casa me pongo el sombrero como de da la gana.¿Por qué he de rezar?¿Por qué he de inclinarme y suplicar?Después de escudriñar en los estratos,después de consultar a los sabios,de analizar y precisary de calcular atentamente,he visto que lo mejor de mi ser está agarrado de mis huesos.Soy fuerte y sano.Por mi fluyen sin cesar todas las cosas del universo.Todo se ha escrito para mi.y yo tengo que descifrar el significado oculto de las escrituras.Soy inmortal.Sé que la órbita que escribo no puede medirse con el compás de uncarpintero,y que no desapareceré como el círculo de fuego que traza un niño en lanoche con un carbón encendido.Soy sagrado.Y no torturo mi espíritu ni para defenderme ni para que me comprendan.Las leyes elementales no piden perdón.(Y, después de todo, no soy mas orgulloso que los cimientos desde loscuales se levanta mi casa.)Así como soy existo. ¡Miradme!Esto es bastante.Si nadie me ve, no me importa,y si todos me ven, no me importa tampoco.Un mundo me ve,el mas grande de todos los mundos: Yo.Si llego a mi destino ahora mismo,lo aceptaré con alegría,y si no llego hasta que transcurran diez millones de siglos, esperaré...esperaré alegremente también.Mi pie está empotrado y enraizado sobre granitoy me río de lo que tu llamas disoluciónpor que conozco la amplitud del tiempo.Versión de León Felipe